THEME

Capítulo cinquenta.

— Desculpe, ela não é sempre assim. — disse, ao voltar à mesa.

— Todos têm dias difíceis. — disse Bruna, com um sorriso compreensível.

— Eu espero que esse dia difícil dela acabe logo.

                                                           …

Despedir-me de Bruna e fui a passos curtos para sala de aula. Eu estava louca para saber mais sobre a história que o meu coração escolheu como profissão. Sentei-me, em uma carteira, no canto da parede e espalhei meu material sobre a mesa, enquanto a aula não se iniciava.

Vinte minutos se passaram e nada da aula começar e ninguém aparecer na sala. Presumi com desanimo e uma leve irritação que aula foi cancelada, enquanto guardava minhas coisas.

— Hey anjo loiro! — virei o rosto em direção da porta e vi Bruno. Ele estava estupidamente bonito, com o violão transpassado por cima da camiseta branca, que deixa a mostra sua recente tatuagem no braço malhado — Parece que somos os atrasados da turma. — ele gargalhou e o som de sua voz ecoou por toda sala.

— Como assim?! Eu cheguei na hora certa, eu tenho certeza.

— Você não veio ontem né?! — concordei com a cabeça — Então, a aula de hoje foi cancelada e no lugar dela é a aula do Marcos, lá no teatro.

— Ninguém merece… — disse levantando-me.

Caminhei em direção da porta. Sem falar nada, Bruno pegou meu violão e jogou o braço em cima do meu ombro, enquanto caminhávamos juntos até o teatro.

— Chegamos tartaruga! — disse ele, empurrando a porta para eu passar.

— Você que caminhou feito um jabuti… — disse mostrando a língua, em tom de brincadeira, enquanto passava por ele.

— Os meus alunos prediletos iram se juntar ao restante de nós boçais?! — perguntou e o professor Marcos, com seu inconfundível tom irônico.

— Acho que a mulher dele dormiu de jeans, ontem à noite! — sussurrou Bruno. Mordi a ponta da língua para não deixa uma risada escapar.

Caminhamos apressadamente para o palco. Pegamos nossa Xerox e nos puncionamos em nossos lugares. O professor começou a tocar — lindamente, tenho que admitir — as notas de Broken de Jake Bugg.

Começamos a cantar em coro. Minha voz falhou algumas vezes, por eu está cantando em um tom muito acima do meu. Bruno pareceu notar e com um olhar compreensivo, que me reconforto.

— Para tudo! — disse o professor — Tem algum passarinho fora do tom. Cada uma canta uma estrofe.

Pude sentir minha garganta se fechar. Meus lábios secaram e conforme cada um ia terminando sua parte, minhas voz ia desaparecendo. Pude sentir minhas pernas fraquejarem, como se estivessem quebradas. Fechei meus olhos e disse para mim mesma, mentalmente, que estava tudo bem, enquanto respirava fundo.

— Nathalia, é sua vez… — sussurrou Bruno. Abri meus olhos e vi que todos estavam me olhando, como se eu tivesse uma seta de neon em cima da cabeça, escrito ‘’perdedora’’.

— Desculpe-me! — disse — Eu estava com o pensamento longe, alguém poderia me dizer em que parte parou?

— Break story of… Peace and love, in a future.. Bright sacrifice came around… Never broken! — cantarolou Bruno, apressadamente, mas sem sair do ritmo.

— Ok! — respirei fundo, novamente — Down by the people if… — cantei como um passarinho adoentado.

— É visível o seu desinteresse e desrespeito pela minha aula mocinha! — disse o professor, levantando-se da banco — Mas, eu vou te falar uma coisa, eu não estou aqui para aturar gracinhas…

— Desculpe-me, eu realmente não quis passar essa impressão! — apressei-me em dizer.

— Ah você não quis?! — eu sabia que aquela pergunta feita em tom irônico era retórica — Vejamos senhorita Lima, você saí das minhas aulas, nunca canta com empolgação, fica com o pensamento longe, como você mesmo disse e olha que eu não estou nem citando o fato de você ter fugido da minha primeira audição!  

— Desculpe-me, eu juro que isso não ira se repetir! — disse envergonhada.

— Desculpas?! É só o que você sabe pedir? — ele esbravejou.

— Essa merda realmente é necessária?! — disse Bruno — Ela já disse que isso não iria se repetir. Você não precisa transformar a vida dela em um merda, só pra transforma a sua mais empolgante! Vamos Nathalia, ninguém precisa disso para se transforma em um cantor.

— Se você sair por essa porta, eu passo seu dueto para outra pessoa.

— Veja o quanto eu me importando enquanto eu cruzo a porta!


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Capítulo quarenta e nove.

Às meninas foram embora logo em seguida. Eu decidi que não iria assistir às primeiras aulas, pós minha cabeça estava latejando sem cessar.

Tomei um analgésico, pós não estava disposta a encarar o café sem açúcar que Juliana havia preparado para mim mais cedo — eu já não suportava café, imagine sem açúcar?! Essa bebida definitivamente não foi feita para mim.

Entrei debaixo do chuveiro e deixei que a água gelada escorresse pelo meu corpo, torcendo que ela fizesse seu efeito milagroso, reconhecido pelos médicos e pelos bebuns de plantão.

Saí do chuveiro e voei para frente do espelho para fazer a minha higiene pessoal e a minha maquiagem. Preparei a pele e corrigi as olheiras — que estavam horríveis. Apliquei um batom rosinha nos lábios e depois sequei meu cabelo.

Fiz o coque alto — para modelar os fios, enquanto eu procurava alguma roupa confortável para enfrentar a maratona de aulas que viriam pela frente. Espiei pela janela do meu quarto, que o tempo estava nublado e com previsão de chuva. Acabei optando por uma calça legging, preta, uma blusinha bem acinturada, branca e jaqueta jeans, curtinha.

Enquanto vestia, minhas botinhas vermelhas, visualizei no relógio que o segundo tempo já havia iniciado e como eu não queria sair correndo, resolvi que iria sair logo, para poder ir caminhando calmamente pela cidade.

Peguei meu material e meu violão. Coloquei os fones de ouvido no máximo, e fui caminhado pelas ruas, sentindo-me a mulher mais sexy do mundo.

***

Cheguei na faculdade e aula sobre arranjos, ainda estava acontecendo. Resolvi ir para lanchonete comer alguma coisa, já que eu não havia posto nada no estômago, além de um comprimido.

***

— Eu estou te excluindo do meu ciclo de amizade Nathalia Lima, por falta de comunicação! — pude ouvir a voz risonha de Bruna ecoar por toda lanchonete.

— Não faça isso… Senão você não terá com quem terminar o seu trabalho! — disse.

— Bom argumento! — disse se sentando em minha frente — O que você tem feito? Não apareceu ontem…

— Não estava me sentindo muito bem! — meias verdades não é mentira.

— Mas você está melhor né? — perguntou.

— Digamos que na noite de ontem eu me recuperei na velocidade de um meteoro.

— Uau! Isso soou sexy! — gargalhei — Vou usar da próxima vez…

— Com o Lucas?!

— Não! Credo… Ele e eu não estamos mais juntos.

— E como você está lindando com isso? — perguntei. Enquanto pensava na resposta, ela provou do meu suco, sem nenhuma cerimônia.

— Sei lá… Eu acho que ultimamente tudo tem sido meio sei lá.

— Qual é?! Foi ele que terminou?

— Ele me mandou um sms ontem de ontem, dizendo que não sabia mais o que sentia por mim, que era melhor nós darmos um tempo e que um dia, quem sabe, nós nos encontraríamos por ai. Ai, hoje eu me deparo com a notícia que ele está saindo com uma ex,atual, sei lá o quê panicat!

— Nossa amiga… — repousei minha mão sobre a dela — Eu não sei nem o que falar!

— O Luan bem que me avisou que ele não era do tipo do homem que cria raízes, mas eu nunca pensei que ele fosse insensível também! Ele me deu um fora por sms. — ela esbravejou.

— Você vai superar isso. Você é linda, loira e rica! — sorrir — Ele que perdeu e quando ele se der conta disso, vai voltar correndo.

— Tem duas coisas que eu não suporto. — disse, ignorando-me —Insensibilidade e mentira!

Senti um nó na garganta. Tive vontade de contar para ela sobre Luan e eu, mas tive medo do que ela poderia achar, então eu me calei.

— Nathy! — pude ouvir Juliana me chamar.Virei-me e lá estava ela, acenando as mãos freneticamente em cima da cabeça. Fiz sinal para que ela se juntasse conosco e com uma expressão de pouco amigos ela finalmente começou a caminhar em minha direção.

— Juliana, essa é a Bru…

— Eu sei quem ela é! — disse interrompendo-me — Preciso falar com você, em particular!

— Licença Bru, em um minuto eu estou de volta.

— Vai lá amiga! — vi Juliana revirar os olhos. Há puxei pelo braço até um canto reservado da lanchonete.

— Por quê você foi tão sem educação com ela? — perguntei.

— Espera ai! Isso é sério ou tem câmeras do pânico escondidas por ai?! Ela nem olhou na minha cara.

— Você não deu tempo para isso…

— Que seja, a donzela ali vai supera ter sido ignorada pela suburbana aqui… — disse girando em cima dos calcanhares.

— Juliana, volta aqui! — gritei.

— O seu minuto comigo acabou! Não deixa a Bru esperando, sabe como é quê é né?! Ela já está cheias de traumas por minha causa, não vamos causar outro.

Na medida que Juliana ia sumindo no meio das pessoas, a minha paciência também ia sumindo rapidamente. 


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Essa tua boca, esse teu sorrisinho safado, porra tu me deixa louca.


Capítulo quarenta e oito.

Nós não levamos nenhum jeito para dançar uma música lenta, mas a sensação de ter nossos corpos colados, agradável. Confesso que foi difícil me concentrar nos passos, enquanto eu a vi se movimentar tão cautelosamente perto de mim. Tentei manter o foco em seus olhos, mas eles eram um convite a perdição.

Tudo parecia contribuir para aquele momento. Há luz baixa, a música ”sozinho” de Caetano ecoando de uma forma tão suave, que parecia que estava nos colocando para dormir e a respiração quente dela, queimando em minha pele.

— Até que nós saímos bem! — sussurrei.

— Meu pé não acha a mesma coisa. — ela gargalhou e pela primeira vez em toda aquela noite, eu realmente fiquei constrangido.

— Desculpe-me… — disse em um sussurro.

— Está tudo bem! — ela sorriu, ao transpassar os braços em meu pescoço. Olhei em seus olhos e vi que pela criação, seria muito difícil eu vê-la reclamando de algo ou questionando alguma coisa de maneira grosseira e isso me encantava nela, da mesma forma que a música me fascina.

***

Ele deixou-me na porta do meu prédio como um verdadeiro cavaleiro.  Beijou a minha testa e depois meu lábios. Subi os degraus, com as pernas bambas, não somente por causa do efeito que lábios dele têm sobre mim, mas também por que tinha uma quantidade ‘’grande’’ de álcool correndo em minhas veias.

***

— Acorda bela adormecida! — pude ouvir a voz rouca de Juliana, ecoar dentro da minha cabeça como um estrondo, enquanto senti suas mãos balançando o meu corpo.

— Nathalia, saí desse vaso, eu preciso fazer xixi! — Rafaella gritou, e se eu não estivesse com os meus olhos abertos, juraria que ela havia gritado dentro do meu tímpano.

— Meu Deus… — disse com a voz grogue — Eu não me lembro de como eu vi parar aqui.

— Eu lembro! — disse Rafaella puxando-me — Segura ela! — disse entregando-me para Juliana, como se eu fosse um saco de feijão — Você chegou levemente alterada, mandamos você tomar um banho gelado… — ela baixou a o short do baby-doll, antes de se sentar na privado — Que alivio! Misericórdia.

— Eu termino de te contar lá fora… — disse Juliana puxando-me para fora do banheiro, enquanto soltava uma risada.

***

— Minha nossa senhora! — disse passando a mão pelos fios alvoroçado do meu cabelo — Que vergonha.

— Que bonitinha! — disse Kaliane se debruçando sobre o balcão da cozinha para apertar minhas bochechas — Ela está envergonhada por causa do primeiro porre.

— Saí Kaliane! — disse Juliana, entregando-me uma caneca flamejante de café.

— Eu tenho que me arrumar para ir para faculdade — disse dando entonação na voz quando disse a palavra faculdade —, por isso que eu vou sair.

— Como se eu me importasse para aonde você vai. — disse Juliana piscando freneticamente enquanto um sorriso sínico estampava seus lábios.

— Você tá ficando um poço de grosseria desde que começou a tomar aquele monte de pílulas, escondida.

— Vai tomar conta dos teus machos! — Juliana gritou, enquanto arremessava a primeira coisa que apareceu em seu campo de visão, um faqueiro de madeira, na direção de Kaliane, que já estava praticamente dentro do quarto.  

— Juliana! — Rafaella gritou indo em sua direção, enquanto eu assistia tudo um pouco atônita — O quê houve?

— Nada! É só aquela funkeira dos infernos enchendo a porra do meu saco. — ela respirou fundo — Pode me soltar Rafa, eu já estou bem!

— Você tem certeza? — Rafaella perguntou um tanto preocupada.

— Estou! — não tive tanta certeza de que ela estivesse falando a verdade, mas eu não estava com disposição para questionar isso. Rafaella a soltou. Como se nada tivesse acontecido, Juliana prendeu o cabelo em um coque e estampou um sorriso nos lábios, enquanto se debruçava sobre o balcão — Há agora me conta. Como foi lá?!

Endireitei-me na cadeira e enquanto pensava em uma resposta, soprei o vapor que saía da caneca em minhas mãos e levei até os meus lábios, mas não bebi.

— Durou um eternidade, mas ao mesmo tempo, era como se o tempo tivesse correndo.

— Que resposta mais brochante! — disse Rafaella — Pensei que você iria falar que vocês ficaram tão chapados ao ponto do Luan, fazer um strip-tease em cima da mesa para você.

— O Luan não é o Damon Salvatore. — disse referindo-me, a uma das sérias que Rafaella passa as tardes assistindo, quando não está estudando.

— Mas, se fosse… — ela não completou a frase, mas com certeza tinha alguma safadeza no meio e no final. Estava explícito em seu rosto.  

— Ok, o Luan não tirou a calça, mas pelo menos saliva vocês trocaram né?! — perguntou Juliana.

— Que nojo Juliana! — ela arqueou a sobrancelha — O que você acha?!


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